Atualmente 10,8% da população brasileira, cerca de 22 milhões de pessoas, são fumantes segundo dados do Inca – Instituto Nacional do Câncer. Diversas campanhas reforçam os danos que o tabaco pode causar ao nosso organismo. Alguns malefícios são extremamente conhecidos: câncer de pulmão, mau hálito, doenças cardiovasculares etc. Mas e os danos que o cigarro pode causar na sua rotina de trabalho? O tabagismo no ambiente corporativo pode ser um fator prejudicial, tanto para sua saúde quanto para o convívio e rendimento na entrega de suas tarefas. O psicólogo do Einstein, Thiago Amaro Machado, responde algumas perguntas e esclarece como o cigarro pode atrapalhar seu rendimento profissional.

Como o cigarro pode atrapalhar seu desempenho e concentração no trabalho?

Uma pesquisa recente afirma que com o rigor da lei de proibição de fumar em locais fechados e o fim dos fumódromos, o empregado precisará deslocar-se mais para conseguir fumar, totalizando em média 15 minutos a cada pausa. Pensando em uma jornada de trabalho de 8 horas diárias e uma média de consumo de seis cigarros dentro deste período (três de manhã e três no período da tarde), este funcionário irá perder pelo menos  90 minutos do seu tempo fumando, o que equivale a 20% do seu tempo produtivo.

Considerando um ano de trabalho, essa perda pode significar  um grande déficit  para o desempenho do profissional em sua área de atuação. Isso sem contar o cálculo de faltas, licenças médicas e aumento do uso no plano de saúde com a associação direta da influência do cigarro com o acréscimo de chance de doenças vasculares, cardíacas e tipos de cânceres específicos.

Quais os efeitos da abstinência do cigarro?

Os efeitos da síndrome de abstinência podem variar. Normalmente a abstinência pode desencadear ansiedade, inquietação, irritabilidade, agressividade, depressão, dificuldade de concentração e prejuízo na memória, aumento do apetite e, em situações mais extremas, diminuição do batimento cardíaco e da pressão arterial, sintoma este que aparece frequentemente uma hora após a intercepção do uso do cigarro e pode se estender por até oito semanas, sendo o seu ápice nas duas primeiras semanas.

O ambiente de trabalho pode aumentar os efeitos?

A vontade de fumar, além de ser fisiológica (dependência química) e de ser impactada pelo hábito, pode também estar relacionada como uma válvula de controle emocional. É muito comum os fumantes perceberem que fumam mais quando estão passando por algum problema ou estresse, desta forma o ambiente de trabalho que gera um alto nível de estresse pode contribuir para sensação de necessidade maior do uso da nicotina.

Como pode manter a abstinência sob controle? Existem formas de substituir o cigarro durante o expediente de trabalho?

Para ajudar no controle do estresse e tensão no trabalho é importante ter ou manter pausas, usadas anteriormente para fumar. O consumo do cigarro nessas pausas pode ser substituído pelo consumo de alguns alimentos, por exemplo, a  água, chicletes, frutas ou balas.

Outras comidas podem ser uma estratégia para ajudar no controle da vontade de fumar. Entretanto vale lembrar que nenhuma comida tem o mesmo efeito da nicotina no sistema nervoso central. O consumo destes alimentos, porém, pode minimizar a vontade a ponto de uma pessoa motivada em largar o vício conseguir controlar o impulso de fumar- adiando ou eliminado o cigarro daquele período, não interferindo na sua rotina de trabalho.